domingo, 16 de outubro de 2011

Como ele corre...e como eu caio

Tic-Tac...Tic-Tac...Tic-Tac... O relógio assinala as 02:48h, marcando passo com uma precisão irritantemente magistral, segundo a segundo, minuto a minuto, vida a vida. Tinha dito a mim mesmo que já estaria a dormir (isto há coisa de duas horas) e até agora nada, parece que a própria cama me dá insónias. Dei por mim na sala, a admirar a eloquente parede que decidi estrear hoje, especado a olhar todas as notas que nela já escrevi, confortavelmente recostado no meu puff que marca de vermelho vivo. Dei por mim com um sorriso parvo, a olhar para os dedos, cravejados de bolhas escritas por uma caneta que hoje me acompanhou durante todo o dia, escrevendo desde a maior trivialidade até uma música inteira...Dei por mim, na sala, sozinho, a admirar a tal parede, confortavelmente recostado no meu puff, quando me deu para acender tudo o que era vela espalhada por esta sala e apagar todas as luzes, ter um momento de alumiação lírica, com uma banda sonora por trás que sussurra coisas como "i'm caught up in your smile"... Dei por mim agarrado a isto, a relatar o que aqui se passa, sorrindo nostálgicamente ao futuro. Dei por mim a olhar para um copo de vinho meio vazio, sorrindo-lhe estranhamente enquanto o tempo corre. Dei por mim a massajar um escabroso gesto que insiste em crescer, mostrando-me como o tempo me corre, como o brilhantismo por mim passou e a mim me volta na volta.

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